A vida dos desenhos: Materialidades e experiências dos registro de campo junto aos USK-Natal/RN

Emanoel Aquila Bezerra de Souza
2019 - 2021
Não se desenha apenas para que fique guardado, também é alvo do desenhador a forma como esses registros serão compartilhados ou esquecidos ate que sejam redescobertos, as trajetórias dos desenhos entrelaçam os interlocutores e as coisas no mundo. A vida dos desenhos é relacionada a momentos ligados a suportes utilizados para pensar o campo. Este ensaio visual traz desenhos que resultaram da dissertação de mestrado intitulada "O olhar sobre a cidade através do desenho e as dinâmicas coletivas dos Urban Sketchers (Natal/RN)" de 2021, e retratam as etapas percorridas pela pesquisa, dividida em dois momentos, o período pré pandemia de COVID-19 (2019) e o período pandêmico (2020 à 2021).
Nos dois momentos percorridos pela pesquisa, participo das dinâmicas de desenho em coletivo na cidade, propostas pelo grupo USK-Natal/RN, no período pré-pandêmico. Posteriormente, durante o período pandêmico, acompanho as estratégias para manter as conexões entre os sketchers e a prática coletiva, mesmo com o distanciamento social. Para a antropóloga Karina Kuschnir (2012), “tornar-se um desenhador, neste universo, é uma jornada de autoconhecimento” pois, nos desenhos, os “objetos” são sempre “objetos desenhados por alguém”. Para o André Alves, coordenador do coletivo natalense, eles buscam “desenhar as cidades do Rio Grande do Norte e os bairros da capital, um desenho por vez e todos os encontros são momentos presenciais marcantes”, é quando praticam a percepção dos espaços urbanos e dos aspectos arquitetônicos dos edifícios, a partir do desenho de locação. Enquanto pesquisador, refletir sobre a prática do desenho em campo, fazendo dessa atividade uma linguagem que produz conhecimento e que expressa uma experiência, foi um processo de superação. Apresento materialidades que seguem caminhos de destaque e esquecimento. Alguns desses desenhos ficam guardados com mais cuidado e outros são expostos aos processos de fluxo material de maneira mais relaxada. E, fazem refletir o processo ao longo da vida, como linhas e pontos, aquilo que é observado como o resultado final, em uma perspectiva mais ampla também se torna processo de outra dinâmica, assim como aponta Tim Ingold.
Materiais e Processos: Os desenhos que aqui apresento, estão divididos em dois seguimentos de produção, os que foram feitos durante as dinâmicas junto ao grupo Urban Sketchers Natal/RN, que apresentam as paisagens urbanas observadas e os "desenhos conceitos", pensando palavras e imagens-chave que expressam a experiência de convivência junto aos USK-Natal/RN e a prática do desenho de locação. Utilizei lapiseira 0,7; caneta nanquim uni pin 0.1 e caneta nanquim uni pin Brush, nas seguintes imagens doc 01, doc 06, doc 07 feitas em folhas de papel ofício A4 (420 mm x 594 mm), 90g/m²; e, as imagens doc 02, doc 05 e doc 09 são folhas de papel Canson A3 (297 mm x 420 mm), 180 g/m². Utilizei lápis aquarelável staedtler, diversas cores, nas imagens doc 03, doc 04, doc 08, doc 10, doc 11, doc 12, doc 13, doc 14, doc 15 e doc 16, feitas em folha 13,9 mm x 18,9 mm, 224g/m².
Emanoel Aquila Bezerra de Souza
Graduação em Ciências Sociais pela UFRN (2017). Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), UFRN, (2022). Doutorando PPGAS - UFRN, egresso 2024.1. Linha de pesquisa em Antropologia Visual, pesquisando na área da Antropologia do Desenho. Servidor na SEEC, do Rio Grande do Norte, como Professor Efetivo nível III, leciona a disciplina de Sociologia. No campo da arte, faz graffitis desde 2010 e produz eventos que envolvem arte e educação em escolas e comunidades.